Estive pensando há um tempo como é bom ser criança. Um dia desses eu estava levando meu filho ao shopping para passear um pouquinho, dentro do ônibus tinha duas crianças sentadas em um banco atrás de mim, dois meninos muito bonitos que não tinham mais que 6 aninhos, acho que eram irmãos ou parentes bem próximos pois eram bem parecidos.
Eu estava brincando com o Guilherme e logo ele pegou no sono, comecei a prestar atenção na conversa dos dois meninos porque uma coisa que um deles falou me chamou muita atenção. Nós estávamos passando em frente do Parque dos Paturis, um parque bem conhecido na minha cidade que, aliás, está bem mal cuidado pela prefeitura, que parece não ligar muito para a preservação de um dos poucos recursos de lazer de quem mora em Carapicuíba, quando um dos meninos falou assim:
- Olha que lindo acho que é o paraíso
E o outro menino respondeu:
- Não é o paraíso, mas é muito legal.
O menino que me pareceu o mais novo ficou incomodado com a negativa do irmão e retrucou:
- É o paraíso sim, tem água pra gente nadar, tem lugar pra comer se sentir fome, olha quanta grama, dá pra gente deitar e jogar muita bola tem aqueles cavalos pra gente dar uma voltinha e depois de noite é só a mãe montar uma barraca pra gente dormir. Isso sim é o paraíso.
O mais velho pensou um pouco nos argumentos do irmão e só teve uma objeção diante de um dia que poderia ser tão divertido:
- Tá bom, mas eu não vou dormir sem tomar banho não, a gente vai estar sujo e se não tomar banho e dormir no chão vai encher de formiga nosso corpo.
Eu fiquei impressionada com a inocência desses dois meninos. Hoje em dia que as crianças são cada vez mais espertas e atentas, em muitos casos são obrigadas tão cedo a perderem a tal inocência, foi tão legal sentir que o que eu senti escutando a conversa deles. Eu lembrei o que era importante pra mim quando eu era criança, eu não queria um monte de coisas caras, eu queria ir pra praia com minha família, ou então passar uns dias em Minas na casa da minha madrinha.
Hoje em dia quando tantas crianças querem o brinquedo mais caro, o mais legal, o celular mais moderno, a roupa mais bonita ou tantos outros “mais”, eles queriam jogar bola, comer lanche, nadar e depois dormir em uma barraca.
Fiquei pensando um bom tempo na definição de paraíso que eu escutei, era um paraíso tão simples mais tão sincero, essas coisas que a gente só escuta de criança mesmo. Fiquei pensando no meu paraíso, nas coisas que a gente vai perdendo quando vai crescendo, na quantidade de besteiras que a gente faz depois que deixa de ser criança e perde a nossa verdadeira definição de paraíso.
Não sei o que seria meu paraíso hoje, acho que ver meu filho feliz, com saúde, ter uma vida profissional boa e bem sucedida, um amor de verdade do meu lado, ver minha família feliz, essas coisas de mãe são ótimas alternativas. Entretanto algumas dessas alternativas não vão ser tão fáceis de serem alcançadas.
Fiquei pensando quando meu foco mudou, quando meu paraíso deixou de ser um dia no parque e se tornou ser amada por uma pessoa que não esta nem ai comigo, ou coisa parecida, passei a pensar quando e como a gente muda tanto, como a inocência de criança vira maldade, malícia de adulto.
E como as pessoas mudam pessoas simples divertidas e extremamente sinceras, se tornam mentirosas, arrogantes, cheias de si como se fossem a coisa mais importante do mundo, como se tudo fosse por causa delas, pessoas calmas se tornam ignorantes e impacientes, pessoas com um coração lindo, trocam momentos únicos pra passar o final de semana bebendo, pessoas que tem a oportunidade de serem extremamente felizes e amadas trocam isso por festas e baladinhas. Lamentável né. Mas acontece infelizmente acontece.
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