quinta-feira, 24 de março de 2011

É uma escolha difícil, mas é uma escolha.

Eu considero estranha a capacidade do ser humano de achar que sempre está certo. Esse egoísmo creio eu, começa a se intensificar na adolescência, nessa fase da vida de todos nós é incrível como o mundo parece que tem que se moldar ao que agente acha. As pessoas têm que ser feitas pra gente, do tamanho certo, nos nossos padrões, sem contar que nossas dificuldades, tristezas, preocupações sempre são maiores que a dos outros, e isso se agrava com o fato de ninguém nos entender.
Para homens e mulheres na adolescência (e até depois), nossos pais são as pessoas mais chatas do mundo, muitas vezes agente se dá muito melhor com as pessoas de fora do que com a própria família, nossa mãe sempre fala demais, nosso pai sempre é muito chato, a irmã mais velha é uma mala, entre outros. Acho que eu ainda atenho esses pensamentos, mas depois de ser mãe ficou mais claro que nossos pais, sejam eles pais biológicos ou não, ou só nossa mãe , ou só nosso pai, ou a avó e o avô que muitas vezes são pais, são as pessoas que mais nos querem bem.  
Agente nunca escuta, e parece que quanto mais gente falando no nosso ouvido, mais agente quer fazer, afinal eu tenho 15, 16, 17 anos sei o que é bom pra mim, ou então tenho 18, 19, 20 anos sou maior de idade faço o que eu quero, minha mãe não manda em mim, e é nesse pensamento que agente bate a “cara” na parede.
No Estado do Rio de janeiro, uma mãe entregou seu filho de 16 anos à polícia depois de reconhecê-lo nas imagens que foram divulgadas na mídia, o menino participava de um assalto em um motel no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro na semana passada. (Aposto que esse garoto não ouviu sua mãe).
É uma notícia confusa, pelo menos pra mim, meu filho ainda é pequeno e eu não tenho a mínima ideia de qual seria minha reação ao ver meu filho envolvido em um assalto. O lado mãe com certeza nem pensaria na possibilidade de entregar um filho à polícia e é uma atitude normal, pois essa mãe deve saber as condições do sistema carcerário em nosso país, que são pouquíssimas pessoas que são presas e voltam à sociedade reabilitadas, e deve saber também que essa atitude pode fazer ela perder o filho pra sempre.
Mas o lado pessoa, deve ter penado nas consequências de se acobertar um crime, ele participava de um assalto hoje, e amanhã, o futuro é inserto e provavelmente, essa mãe teve medo do futuro do seu filho.  
Na verdade eu vejo atitude dessa e de outras mães que tiveram a mesma, como a busca desesperada pela recuperação de uma pessoa que se ama muito, como se fosse um filho que estivesse envolvido com drogas e você tenha que o mandar para uma casa de reabilitação. Um filho é uma pessoa que se tem um sentimento acima de todos os outros, é a pessoinha que você viu nascer, crescer, ou mesmo que não tenha visto nascer você o criou o amou, não dá pra perder uma pessoa que se ame assim para uma vida tão cretina.
É uma situação que divide opiniões, é coisa de mãe proteger os filhos acima de qualquer coisa estando eles certos ou errados, mas é coisa de mãe também dar bronca criticar, preparar os filhos pra vida, orientar, é coisa de mãe ser chata, falar demais, tentar passar para os filhos noções de certo ou errado, então se você é filho, não se revoltem com o monte de coisa que suas mães falam, nem tudo é verdade, nem sempre as mães estão certas, pode parecer que nossas mães querem mandar em tudo, querem ser donas da verdade mas isso é cuidado, é amor, é coisa de mãe.  

terça-feira, 22 de março de 2011

Mosquitos X Pessoas, um resultado triste.

Meu post de hoje infelizmente não é tão lindo como os anteriores. Venho escrever sobre um assunto que muito me incomodou hoje pela manhã e apesar do passar do dia ainda me incomoda.
Hoje ao entrar no site g1.com, me deparei com a notícia de que o Estado do Rio de Janeiro esta sendo castigado pela dengue, em menos de três meses o número de casos de dengue no Rio já superou os anos de 2009 e 2010, segundo a secretaria municipal de saúde, são 14 bairros da zona Sul do Rio que estão com o surto da doença.  
Não é de se surpreender que uma doença como a dengue, que pode ser evitada, se as devidas precauções forem tomadas esteja afetando tantas pessoas, afinal o povo brasileiro apesar de suas inúmeras qualidades tem o defeito de fingir que nada esta acontecendo, e como é mais cômodo colocar a culpa nas autoridades, no entanto os prejudicados nem sempre são os que ajudam a causar todo o mal.
Dá pra acreditar, mosquitos estão causando a morte de pessoas no país sede da próxima copa do mundo, no país lindo, onde tudo vira festa, onde mulheres incrivelmente lindas desfilam seus corpos bronzeados pelos calçadões das praias, no país em que craques de bola nascem e crescem com os pés descalços jogando bola nos campinhos de terra, mosquitos estão sendo um dos motivos de morte atualmente (2011) no Brasil, a exemplo do que aconteceu com os portugueses quando nos “descobriram”.
O número de óbitos chega a 15 pessoas, bom o que são 15 pessoas não é mesmo. Pouca coisa é o que nos parece, nem as autoridades, nem a população agem realmente contra os mosquitos é um jogo irritante de jogar a culpa um no outro e enquanto isso, crianças e adultos morrem por mosquitos.
 No ultimo dia 19 de março, infelizmente uma pequena e linda menina de apenas 4 meses morreu de dengue hemorrágica no estado do Rio, e a mãe da criança reclamou da demora nos exames,e atribuiu a essa demora em se diagnosticar a dengue a morte da filha (que chegou a ter o diagnóstico de virose), não tenho ideia do que a mãe desse bebê esteja sentindo hoje. Porém, tentarei descrever (mesmo sem nenhuma experiência com essa trágica situação), o que eu como mãe sentiria nesse momento.
Um misto de saudade e revolta tomaria conta do meu coração, revolta por talvez meu bebê não ter sido atendido como deveria, pelos exames terem esperado estado do meu filho se agravar para darem um parecer sobre a doença, entre outras revoltas que assolam o coração de uma mãe que perde um filho assim tão cedo. Ficaria indignada também com o fato de mesmo com as ações e programas contra a dengue, esse mosquito ainda conseguir fazer tantas pessoas chorarem . entretanto a parte mais difícil de ser enfrentada, pelo menos no meu caso, ainda estaria por vir, que seria a saudade. Saudade em minha opinião pode ser a sentimento mais gostoso, como o mais cruel. Gostoso, porque é bom sentir saudade, quando se está apaixonado, sentir vontade não sair de perto, sentir vontade de ligar o dia todo, essa saudade é saudável, você sabe que no fim do dia, no fim da semana ou até no fim do mês você vai mandar essa saudade passear, e vai estar ao lado de quem se deseja. E cruel porque machuca tanto quando se sabe que ela nunca mais vai ser curada, não é bom sentir saúde assim, dá vontade de chorar, as lembranças vão te incomodar para o resto de sua vida, que droga de saudade de um filho que morreu, é cruel, nesse caso saudade vira crueldade. Vira sentimento de perda, de impotência, de tristeza, vira sinônimo de fraqueza.
Ainda não conheço bem  todas as “coisas de mãe”, mas tenho total certeza que é coisa de mãe se sensibilizar com uma história assim. Aqui deixo registrada minhas condolências a mãe desse bebê, sei que isso não fará diferença nenhuma na vida dessa mãe que creio que a partir de agora será mais triste, mas espero que ela se recupere, e espero muito mais que esse episódio não se repita. Povo brasileiro autoridades brasileiras, se fizermos juntos não seremos derrotados por mosquitos.  

sexta-feira, 18 de março de 2011

Primeiros passos de um guerreiro

É tudo muito incrível quando se acompanha o crescimento de uma criança. Meu filho sempre me causa muitas surpresas, e a do dia 24 de fevereiro de 2011 foi uma totalmente linda. Eu cheguei da faculdade como de costume ás 23:15h, e também como de costume, meu filho estava me esperando com a “corda toda”, eu entrei em casa nem bem jantei e já fui brincar com ele, o tio dele chegou do colégio e ficamos nós três na sala brincando como crianças.  Eu estava mais atrás do Gui e do tio dele, não sei bem o que aconteceu, mas ele ficou irritado com o tio e me chamou, “mamaã”, quando eu olhei e estiquei o braço ele veio andando em minha direção; na hora foi muito automático, eu dei um grito fiquei tão feliz, ele estava vindo pra mim andando sozinho, ele já andava mas só se alguém lhe desce a mão, tive que filmar aquilo e não me lembro de outra situação em que eu ficasse tão feliz em fazer um vídeo.
Agora é assim ele já anda, meu homenzinho está andando, e eu já sinto uma tremenda falta de quando ele mamava no peito, sinto falta de quando ele precisava muito de mim, e olha que ele ainda vai precisar muito, afinal ele só tem 1 ano e 3 meses. Mas esse pequeno gigante tem muita história pra contar, quem o vê andando assim nem acredita que aos nove meses de vida ele passaria por uma cirurgia do coração. =/
Pois é, meu bebê é um vitorioso nato. Aos 3 meses de vida o Guilherme não ganhava peso, crescia normalmente mas não era uma criança gordinha, após uma gripe que era pra ser normal, o Guilherme foi diagnosticado com uma CIV (Patologia cardíaca. Significa Comunicação Inter Ventricular. É quando há uma comunicação (um "furinho") entre os ventrículos, o que não deveria haver). No auge do meu desespero quando eu realmente não sabia o que fazer muito menos em que pensar, descobri que meu filho a qualquer momento teria que realizar uma operação, não dava pra acreditar, que meu pequenininho ia passar por uma sala de cirurgia. Começamos a tratar do problema do Guilherme, o problema não prejudicou o desenvolvimento mental dele, ele se mostrou muito inteligente, uma criança normal que SEMPRE me deu muita alegria, mas eu sempre fiquei muito receosa, com uma angustia muito grande, afinal a qualquer momento a Dra. Ieda, médica que o acompanha poderia simplesmente falar que ele deveria ser operado.  
O quadro clínico dele foi evoluindo bem, mas aos 9 meses de vida chegou a hora que eu tanto queria evitar pro meu bebê. No dia 9 de setembro ele seria operado. Não me lembro em nenhum momento da minha vida de ter sentido uma sensação de tanta impotência como aquela que eu sentia, meu filho seria operado aos 9 meses de vida e eu não poderia fazer nada, apesar dos médicos tentarem me tranquilizar foi totalmente em vão, passei os 20 dias anteriores a cirurgia com os nervos a flor da pele, e como geralmente agente só pensa em Deus quando se vê em um beco sem saída, eu passava muito tempo pensando em Deus, chorando muito e implorando para que Deus não abandonasse meu filho nem mesmo por 1 segundo.
Dia 8 de setembro, o Guilherme foi internado no hospital do coração em São Paulo para observação antes da cirurgia, foi o dia em que eu fiquei mais inquieta, qualquer coisa me fazia chorar muito e eu não queria de maneira nenhuma entregar meu filho, queria ele do meu lado, mas era inevitável. No dia 9 de manhã começaram os preparativos, exames e mais exames, e eu vendo meu pequeno sendo furado, vendo o soninho dele ser incomodado a todo momento, até que ao meio dia vieram me avisar que eu teria que dar um remedinho pra ele dormir e levá-lo para o centro cirúrgico. Deve ser coisa de mãe, mas a sensação de medo, angústia, a sensação de me sentir pequena, e a vontade de simplesmente acordar de um pesadelo terrível, daqueles que parece que foi de verdade, eram nítidas e cruéis, com uma mãe que ama tanto.
Após cinco horas de cirurgia, meu filho estava fora de perigo, e já poderia subir pra UTI, mesmo com os médicos (muito competentes e que salvaram a vida do meu filhote) falando que estava tudo bem e que ele iria e recuperar, eu estava muito ansiosa eu não sai da sala pra nada, (e esses dias me renderam 6 quilos a menos) fiquei o tempo todo esperando o momento de poder pegar na mãozinha dele, afinal é coisa de mãe só ter certeza do bem estar de sua cria se puder ver de perto. Quando eu entrei no UTI, vi a cena mais pavorosa que eu poderia imaginar, novamente como em um filme de terror, eu estava em estado de choque, meu filho estava no leito 4, perto da porta em um berço de ferro, só de fralda, com um monte de drenos e caninhos, tinha um dreno na barriga, um no pescoço, e estava com dois canos, um na boca e um no nariz, estava inchado, gelado, pálido com a boca roxa, pensei que fosse pelo frio, peguei um lençol que estava perto dele e o cobri, o ambiente triste e gelado da UTI era tenso, e me deixou gelada também. Ele estava dormindo, e o término dos 15 minutos da minha visita, foi mais uma vez um momento de pura tristeza.
Quando fui saindo junto com outras 6 mães, que estavam na mesma situação de desespero que eu, umas até mais desesperadas, é que eu fui tendo dimensão do quanto se tem que ser forte para ser mãe, foi naquela hora que eu entendi que ser mãe não é simplesmente dar a luz a um bebê, tem que sentir a benção, tem que sentir lá no fundo da alma o chamado que Deus fez, tem que assumir um pacto de vida e morte com aquele ser que se formou dentro de você, você é a origem daquela vida e ela se tornara a extensão da sua vida. Um casamento eterno, e é coisa de mãe assumir o compromisso de amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e assumir também outros personagens em sua vida, a partir de então não se é apenas mãe, é médica, é conselheira, é cozinheira, é arrumadeira, é professora, é chata, é leoa e briga pela cria, é sinônimo de carinho, amor, compreensão, aceitação, fidelidade, cumplicidade, enfim, um compromisso difícil porém eterno e em alguns casos gratificante.
O Guilherme não ficou muito tempo na UTI, com apenas 12 horas já estava no CTI e 12 horas depois estava subindo para quarto, já desinchado e com um pouco mais de cor, meu filho já surpreendia, estava brincando, comendo direito, como se estivesse em casa, recebeu visitas e brincou com todo mundo, virou xodó das enfermeiras, e sua força me deixou muito orgulhosa de ser mãe dele.  
Hoje, 6 meses e 8 dias depois do dia que meu filho foi operado, que eu o tenho ao meu lado, andando, aliás correndo pra todo lado, me esperando chegar da faculdade pra brincar de batuque à meia noite, olhando para o espelho e tirando foto com a mamãe, me dando beijo, correndo dos meus apertões, puxando minha mão pra sair pra rua, fazendo carinho em mim quando vê uma lágrima caindo do meu do meu olho, deitado do meu lado e me procurando na cama na hora de dormir, olhando pra mim de manhã e dando um sorriso enorme com aquela boca linda e cheia de dente, me chamando de mamãe e me tornando em conjunto com gente muito especial (pai, mãe, avó, irmão, amigos, namorado) a mulher mais feliz e realizada do planeta. Por que eu tenho o melhor presente que alguém poderia ganhar, e esse presente atende pelo nome de Guilherme Veríssimo dos Santos. 



      

terça-feira, 15 de março de 2011

Como administrar minha nova vida sem você?

O primeiro passo, como creio que seja o de milhares de meninas que engravidam com 19 anos ou menos, foi chorar desesperadamente, fiquei em estado de choque, achei que não teria como terminar a faculdade, que eu teria que me casar, que minha vida estaria terminada, depois pensei na decepção do meu pai, na aflição da minha mãe por eu ser diabética, ai começaram os pensamentos sombrios, pensei em fugir, ou em abortar, estava sem chão e liguei pro Mateus afinal ele tinha participação naquilo.    
Liguei para ele que também ficou em choque, mas depois de ter ouvido a pergunta que ele me fez eu deveria saber que as coisas não seriam tão fáceis, eu falei:
_ Mateus estou grávida
E ele mais do que rápido perguntou:
_ Grávida de quem?
Eu com o mundo desabando e ele pergunta de quem é o filho, tudo bem não estávamos juntos, mas, ele tinha que saber, afinal ficamos juntos por 3 anos. Era uma terça feira meu plano é que no domingo eu ele fossemos juntos pra minha casa e contássemos para meus pais, mas as coisas novamente não saíram como o planejado. Eu não tinha a quem recorrer, e fui pedir auxilio a mãe de uma amiga de infância, estava bem ai meu erro. Antes que eu e o Mateus fossemos contar tudo do nosso jeito, essa vizinha foi até minha casa e armou uma cena de cinema, como se eu tivesse cometido um crime, quando eu cheguei em casa foi aquele baile. Minha mãe estava passando mal com um ataque de pressão alta, meu pai extasiado, deitado na cama fumando seu cigarro e certamente pensando onde foi que eu errei? E meu querido irmão, que até então nunca havia demonstrado nenhuma preocupação com a minha vida pessoal, estava histérico, quando a mãe do Mateus e ele chegaram na minha casa meu irmão surtou, queria bater nele, ofendeu todo mundo, e talvez tenha sido ai que eu perdi o pai do meu filho.
Ainda me lembro depois de ter chorado horrores, de acompanhar o Mateus e a mãe dele até o portão, eu estava assustada, mas com um sentimento bom de que eu e ele ficaríamos juntos pra sempre agora com o nosso bebê, me lembro também dele ter me falado:
_Linda fica calma EU TE AMO.
Houve também uma mensagem de conforto no celular, com os dizeres: “Fica calma amor vai dar tudo certo, agora a gente é uma família e nínguem vai separar agente. EU TE AMO. Mih’nha Mih”. Isso não saiu da minha cabeça durante minha gravidez conturbada, e até hoje essas palavras ainda me incomodam.
Eu enjoei muito dele, não queria mais ficar com ele, achei que gostava de outra pessoa, mas era tudo idiotice, e a única coisa sensata que eu ouvi da mãe dele desde que eu a conheci, foi em uma ligação em que ela me disse: “Você só esta enjoada, não faz besteira, porque meu filho gosta muito de você, e vocês vão ter um filho”. Eu não dei atenção, mas agente acabou ficando junto por mais um tempo, pouco tempo pra uma história que deveria começar a partir daquele momento.
Com seis meses de gravidez houve o rompimento definitivo do nosso amor, depois de muitos problemas, depois de muitas mágoas, depois de muita coisa que eu ainda não aceito, e considero muita falta de consideração. Mesmo com tantas dúvidas e com tantas besteiras feitas pelo respectivo pai do meu filho, eu ainda o procurava, afinal não queria que meu bebê crescesse sem o pai por perto, mas realmente não aconteceu. A indiferença do Mateus comigo e com o bebê que eu estava esperando, fez com que ele visse apenas um ultrason depois de muito eu pedir, meus desejos de grávida ele não realizou nenhum, eu ainda trabalhava no negócio que minha família tem, minhas pernas e pés doíam, e ele não fez nenhuma massagem, ele também não estava perto quando o Guilherme deu um chute em mim, e não presenciou nenhum enjôo ou nenhuma crise de choro minha.
Enfim, e no dia 19 de dezembro ironicamente uma semana antes do dia do aniversario do “Pai”, o Guilherme vem a mundo, na cidade de Osasco, ao meio dia e vinte, nasce de parto cesariana o bebê mais lindo do mundo, o pai dele também não assistiu o parto, ou nem se quer sabia o dia a hora ou o hospital que ele nasceria, eu que não deixei, estava muito brava com tudo que eu passei na gravidez e com a total falta de presença do Mateus do meu lado. No dia 20 de dezembro depois da minha amiga irmã colocar as fotos do Gui no Orkut, eu recebi a ligação, que eu esperei por tanto tempo, era ele me pedindo perdão, dizendo que o “filho dele” era lindo, eu fui grossa, indiferente, e permaneci assim por muito tempo, mas também o que ele queria, agora era muito fácil falar que era pai.
Ao voltar pra casa, com dores terríveis nos pontos da cesária, um misto de emoções me dominava de um jeito incrível. Ora eu sentia uma saudade imensa do Mateus do meu lado, queria ele ali perto de mim, ora sentia uma raiva tremenda de tudo que eu passei sem ele, e que continuaria passando, por que ele ainda não estava comigo. E essa confusão só aumentava na medida em que eu olhava para o Guilherme dormindo e o via exatamente igual ao pai, muito parecido, com os olhos do pai como um dia eu falei que gostaria que fosse,  aqueles olhos que por tantas vezes eu acreditei, aqueles olhos que me passavam tanta verdade e tanta segurança.
Eu pensei muito e por trás de uma pose muito forte, eu queria mesmo era chorar muito, queria ter meu “Nem” comigo e com nosso filho, queria só que ele pelo menos uma vez me enfrentasse, e falasse não as coisas não vão ser do seu jeito, você é a mãe do meu filho, você vai ficar comigo e com ele, e não tem conversa. Eu queria uma atitude que me levasse pra ele de volta, mas atitude nunca foi o ponto forte do Mateus.  E eu deveria saber.





  

Como assim sou Mãe?

Esse blog tem o nome de “Coisa de Mãe”, logo, nada melhor do que contar minha passagem de menina, moça, solteira, baladeira, para Mãe.
As coisas começaram de um jeito muito comum, nada de específico nem de especial.  Eu conheci “PAI” (já explico o porquê das aspas) do meu filho que neste texto o chamarei de Mateus, no oitavo ano do ensino fundamental II (antigo ensino médio) no ano de 2004, éramos apenas colegas de classe, pra falar a verdade eu nem gostava muito dele, eu namorava outra pessoa e as coisas iam bem, ate que um dia eu descobri que esse certo alguém que não me chamava atenção nenhuma se interessava por mim, nada de anormal, já era final do ano e nada mudou.  Volta ás aulas, e novamente eu estava na mesma sala que ELE, foi no ano de 2005 que as coisas começaram a mudar, alia que minha vida começou a mudar. Mesmo namorando eu comecei a me envolver com aquele “cara” que não me chamava atenção, quando eu decidi me separar pra ficar só com Mateus, ou pra não ficar mais com ninguém, acho que as coisas já estavam fora do meu controle.
O Mateus já frequentava minha casa e todo mundo gostava muito dele, inclusive eu, agente começou a namorar e entre idas e vindas ficamos juntos por 3 anos. Passamos por farias fases, como qualquer namoro entre adolescentes, tivemos a fase do se amar de mais, quando agente acha que encontramos o amor de nossas vidas, passamos por fases de extremo ciúmes, que no nosso caso o sentimento de ciúmes era completamente presente no relacionamento tanto da minha parte quanto da dele, tivemos brigas horríveis e nos separamos várias vezes, eu corri atrás ele correu atrás, entre outras coisas.
Depois de um tempo separados, com vidas quase que tomando caminhos completamente distintos, e depois de eu terminar com ele quase que sem avisar, optamos por mais uma tentativa, e foi nessa tentativa que nossas vidas se ligaram pra sempre. Ficamos juntos novamente, mas esse encontro não fez com que agente voltasse realmente de fato, entretanto algum tempo depois, após um atraso na minha menstruação, a GRANDE SURPRESA, eu estava grávida. Eu descobri depois de um exame de sangue, que minhas amigas insistiam para que eu fizesse, eu certa que o resultado seria negativo, fui fazer por desencargo de consciência, e fui surpreendida, o resultado era POSITIVO.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Agora Vai

Este não é o meu primeiro blog, já tive alguns e confesso não obtive muito sucesso. Essa história de blog aconteceu na minha vida no início do ano de 2009 , cursando o segundo ano da faculdade, fazendo jornalismo, uma das atividades acadêmicas propostas era criar um blog, fiquei bem empolgada e dei início a minha vida de “blogueira”. Como eu disse não tive muito sucesso. Comecei a me questionar sobre o que eu escreveria no meu blog, bom falta de inspiração para escrever foi um problema que me deixou preocupada, afinal faço jornalismo.
Minha primeira opção foi cultura negra, preconceito, um assunto que sempre me interessou muito, e que eu iria com certeza gostar muito de falar sobre, no entanto não fui muito longe com essa ideia, fiz algumas postagens e logo percebi que o blog não estava do jeito que eu queria, outras coisas e a procura por um estágio, me fizeram parar de postar. Então pensei em falar de esportes, comentar d meu jeito feminino sobre futebol, e sobre o Corinthians, a mais isso foi uma idéia que nem se quer saiu da minha cabeça.
Bom nesse mesmo ano eu engravidei (essa história merece uma postagem especial), e então resolvi que iria falar de gravidez na adolescência, tinha certeza que iria dar certo afinal é um assunto que esta cada vez mais comum no Brasil, eu tinha certeza que muita menina estava na mesma situação que eu cm os mesmos pensamentos e dúvidas, achei que iria ser falar sobre, mas também não fui adiante com a ideia. Achava que me faltava alguma inspiração alguma coisa nova pra contar. Agora na minha quarta ideia, tenho certeza que vai dar certo, não é uma idéia tão inovadora, mas agora sinto que achei minha inspiração mais do que necessária pra escrever horas e horas, afinal um Guilherme em casa é fonte de muita inspiração. =)