O primeiro passo, como creio que seja o de milhares de meninas que engravidam com 19 anos ou menos, foi chorar desesperadamente, fiquei em estado de choque, achei que não teria como terminar a faculdade, que eu teria que me casar, que minha vida estaria terminada, depois pensei na decepção do meu pai, na aflição da minha mãe por eu ser diabética, ai começaram os pensamentos sombrios, pensei em fugir, ou em abortar, estava sem chão e liguei pro Mateus afinal ele tinha participação naquilo.
Liguei para ele que também ficou em choque, mas depois de ter ouvido a pergunta que ele me fez eu deveria saber que as coisas não seriam tão fáceis, eu falei:
_ Mateus estou grávida
E ele mais do que rápido perguntou:
_ Grávida de quem?
Eu com o mundo desabando e ele pergunta de quem é o filho, tudo bem não estávamos juntos, mas, ele tinha que saber, afinal ficamos juntos por 3 anos. Era uma terça feira meu plano é que no domingo eu ele fossemos juntos pra minha casa e contássemos para meus pais, mas as coisas novamente não saíram como o planejado. Eu não tinha a quem recorrer, e fui pedir auxilio a mãe de uma amiga de infância, estava bem ai meu erro. Antes que eu e o Mateus fossemos contar tudo do nosso jeito, essa vizinha foi até minha casa e armou uma cena de cinema, como se eu tivesse cometido um crime, quando eu cheguei em casa foi aquele baile. Minha mãe estava passando mal com um ataque de pressão alta, meu pai extasiado, deitado na cama fumando seu cigarro e certamente pensando onde foi que eu errei? E meu querido irmão, que até então nunca havia demonstrado nenhuma preocupação com a minha vida pessoal, estava histérico, quando a mãe do Mateus e ele chegaram na minha casa meu irmão surtou, queria bater nele, ofendeu todo mundo, e talvez tenha sido ai que eu perdi o pai do meu filho.
Ainda me lembro depois de ter chorado horrores, de acompanhar o Mateus e a mãe dele até o portão, eu estava assustada, mas com um sentimento bom de que eu e ele ficaríamos juntos pra sempre agora com o nosso bebê, me lembro também dele ter me falado:
_Linda fica calma EU TE AMO.
Houve também uma mensagem de conforto no celular, com os dizeres: “Fica calma amor vai dar tudo certo, agora a gente é uma família e nínguem vai separar agente. EU TE AMO. Mih’nha Mih”. Isso não saiu da minha cabeça durante minha gravidez conturbada, e até hoje essas palavras ainda me incomodam.
Eu enjoei muito dele, não queria mais ficar com ele, achei que gostava de outra pessoa, mas era tudo idiotice, e a única coisa sensata que eu ouvi da mãe dele desde que eu a conheci, foi em uma ligação em que ela me disse: “Você só esta enjoada, não faz besteira, porque meu filho gosta muito de você, e vocês vão ter um filho”. Eu não dei atenção, mas agente acabou ficando junto por mais um tempo, pouco tempo pra uma história que deveria começar a partir daquele momento.
Com seis meses de gravidez houve o rompimento definitivo do nosso amor, depois de muitos problemas, depois de muitas mágoas, depois de muita coisa que eu ainda não aceito, e considero muita falta de consideração. Mesmo com tantas dúvidas e com tantas besteiras feitas pelo respectivo pai do meu filho, eu ainda o procurava, afinal não queria que meu bebê crescesse sem o pai por perto, mas realmente não aconteceu. A indiferença do Mateus comigo e com o bebê que eu estava esperando, fez com que ele visse apenas um ultrason depois de muito eu pedir, meus desejos de grávida ele não realizou nenhum, eu ainda trabalhava no negócio que minha família tem, minhas pernas e pés doíam, e ele não fez nenhuma massagem, ele também não estava perto quando o Guilherme deu um chute em mim, e não presenciou nenhum enjôo ou nenhuma crise de choro minha.
Enfim, e no dia 19 de dezembro ironicamente uma semana antes do dia do aniversario do “Pai”, o Guilherme vem a mundo, na cidade de Osasco, ao meio dia e vinte, nasce de parto cesariana o bebê mais lindo do mundo, o pai dele também não assistiu o parto, ou nem se quer sabia o dia a hora ou o hospital que ele nasceria, eu que não deixei, estava muito brava com tudo que eu passei na gravidez e com a total falta de presença do Mateus do meu lado. No dia 20 de dezembro depois da minha amiga irmã colocar as fotos do Gui no Orkut, eu recebi a ligação, que eu esperei por tanto tempo, era ele me pedindo perdão, dizendo que o “filho dele” era lindo, eu fui grossa, indiferente, e permaneci assim por muito tempo, mas também o que ele queria, agora era muito fácil falar que era pai.
Ao voltar pra casa, com dores terríveis nos pontos da cesária, um misto de emoções me dominava de um jeito incrível. Ora eu sentia uma saudade imensa do Mateus do meu lado, queria ele ali perto de mim, ora sentia uma raiva tremenda de tudo que eu passei sem ele, e que continuaria passando, por que ele ainda não estava comigo. E essa confusão só aumentava na medida em que eu olhava para o Guilherme dormindo e o via exatamente igual ao pai, muito parecido, com os olhos do pai como um dia eu falei que gostaria que fosse, aqueles olhos que por tantas vezes eu acreditei, aqueles olhos que me passavam tanta verdade e tanta segurança.
Eu pensei muito e por trás de uma pose muito forte, eu queria mesmo era chorar muito, queria ter meu “Nem” comigo e com nosso filho, queria só que ele pelo menos uma vez me enfrentasse, e falasse não as coisas não vão ser do seu jeito, você é a mãe do meu filho, você vai ficar comigo e com ele, e não tem conversa. Eu queria uma atitude que me levasse pra ele de volta, mas atitude nunca foi o ponto forte do Mateus. E eu deveria saber.
É historias quase parecidas, mais o "Pai" do meu veio atraz. Mais fui ruim. Nada mais facil que o meu filho criado e ele dizendo ser "Pai". Adorei o Blog, Divulgarei! Beijos Miiih
ResponderExcluirMilka, Parabéns pelo blog! Adorei a ideia de dividir sua história! :D
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